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A importância da mamografia no câncer de mama

02 de Fevereiro de 2018
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O câncer de mama é a segunda maior causa de morte por câncer nos países desenvolvidos, abaixo apenas do câncer de pulmão, e a maior causa de morte por câncer em mulheres em países em desenvolvimento (OMS, 2012). No Brasil, é a neoplasia maligna mais comum e a principal causa de morte por câncer entre as mulheres, com taxa de mortalidade ajustada pela população mundial de 12,1 óbitos por 100.000 mulheres (MS, 2015). Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA), em 2016/2017, no Brasil, poderiam ocorrer 57.960 casos novos de câncer de mama, o que representa um risco de 56.1 casos a cada 100.000 mulheres.
 
Inúmeros são os fatores associadas a uma maior probabilidade de desenvolver câncer de mama. Neste sentido, todas as mulheres têm risco de câncer de mama unicamente por causa de seu gênero. Espera-se que 1 em 7 a 14 mulheres desenvolverá a doença em alguma etapa da sua vida, com o risco de óbito entre 3 e 77%, de acordo com o estágio da doença no momento do diagnóstico.
 
A densidade da mama é um outro fator a ser considerado, tendo em vista existir uma relação entre a densidade do tecido glandular e o risco de câncer, especialmente em pacientes com mamas densas, categorias 3 e 4 da classificação do American College of Radiology (ACR)). Neste sentido, uma mulher com mamas extremamente densas (categoria 4) tem uma probabilidade 4,6 vezes maior de câncer de mama do que uma mulher com mamas predominantemente gordurosas (categoria ACR 1).
 
Os fatores que mais impactam o aumento de risco são a história individual de câncer e risco genético familiar. O membro da família é dado pelo número de familiares de primeiro e segundo grau que tiveram o câncer, notadamente se ele ocorreu na fase pré-menopausa. O fator genético compreende algumas síndromes e as próprias mutações genéticas, sendo o BRCA 1 e BRCA 2 mais estudados, o que aumenta a probabilidade de câncer durante a vida até 60-80%. 

 

Risco de câncer e estratégias de prevenção

Aproximadamente 8% da população tem um alto ou muito alto risco de contrair câncer de mama. Pacientes com antecedentes de um familiar direto ou dois familiares de 2º grau diagnosticados antes dos 50 anos de idade são consideradas como um risco significativo de câncer de mama, antecedentes de história de hiperplasia lobular atípica (HLA), a hiperplasia ductal atípica (HDA), carcinoma lobular in situ (CLIS), cicatriz irradiada, mulheres sujeitas a radiação torácica anterior devido a linfoma e pacientes com mutações genéticas BRCA 1 ou 2, diagnosticadas nelas ou em parentes próximos. 
Portanto, entre as pacientes com maior risco, deve-se distinguir dois grupos, um de alto risco (entre 15 a 20% de risco durante a vida) e um de risco muito alto (> 20% de risco durante a vida) nos quais as estratégias de controle são um pouco diferentes.
 

Métodos de imagem

Uma vez estabelecido o risco de cada paciente e os fatores sujeitos à prevenção primária, as ferramentas de triagem da doença precoce devem estar disponíveis, particularmente os exames de imagem.

 

Mamografia
A mamografia tem sido considerada como o método de imagem padrão ouro que, aplicado em um programa organizado de triagem, pode reduzir a mortalidade por câncer de mama na população em geral em até 35%. Conquanto possua as características de custo-efetividade necessárias de um bom método de triagem ou rastreio, apresenta algumas limitações, como o uso de radiação X que pode causar danos às celulas em si e também tem sensibilidade limitada no caso de mamas densas, tipos 3 e 4 da classificação ACR. Sabe-se também que o efeito da triagem com a mamografia na diminuição da mortalidade é maior em mulheres com mais de 50 anos de idade e que a sensibilidade ideal é alcançada após vários exames.
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1. Risco significa contingência ou proximidade de um dano
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Em relação à dose de radiação e seu eventual aumento no risco de câncer na população geral, a maioria dos autores não evidenciou uma relação direta. Todavia, nas pacientes de risco genético-familiar os autores orientam a necessidade de lidar com cautela a dose de radiação.

 
Por fim, vale ressaltar que a mamografia digital é superior à mamografia analógica para detectar lesões em mamas densas, pacientes menores de 50 anos de idade e mulheres peri ou pré-menopáusicas. Apesar que esta técnica possa reduzir a dose glandular em até 20%, não se pode desconsiderar os altos custos comparativos em relação à mamografia analógica.